com Mariana Duarte Silva #MyEverydayLife

imagem Carlos Ramos

a Mariana trabalha atualmente em PR e agenciamento de artistas, viveu em Londres e de lá trouxe para Portugal uma ideia criativa: transformar contentores em espaços de cowork.

Village Underground Lisboa, essa ideia que virou projeto, inaugura amanhã, sábado, 10 de Maio, no Museu da Carris, em Alcântara. Estão todos convidados a ir à festa, a entrada é livre!

a rubrica MyEverydayLife com a Mariana fala-nos do Village. e do dia a dia desta mãe-empreendedora.

 

06:30a.m 

O meu dia começa com o primeiro biberon do meu filho mais novo, Nuno, com sorte às 06:30. Se consigo dormir depois disso ou não, é uma questão de sorte também! Na maioria das vezes sim, mas só mais meia hora até chegar o Lucas à nossa cama e esticar-se ao comprido, deixando muito pouco espaço para eu e o pai dele respirarmos.

08:00a.m

Saio da cama, leio os primeiros emails, respondo ao urgente e salto para o banho.

08.30a.m

Chega a Lúcia, um anjo que me ajuda com o Nuno; passo-lhe o Nuno e concentro-me em acalmar a birra do Lucas que não quer acordar para ir para a escola, nem quer lavar o rabo nem quer vestir-se. Respiro fundo, profundamente, 5 vezes, conto até 10 e avanço. 
Recentemente tomei a atitude de deixá-lo a vestir-se com meu marido e sair de casa para o momento que mais gosto do dia – o pequeno almoço, sozinha.  Volto a casa, pego no Lucas, beijo o Nuno e seguimos para a escola do Lucas. 

9:30a.m

Venho para o Village. Abro o meu contentor, onde já estão quatro raparigas a trabalhar intensamente (quase sempre!); nestes últimos dias temos concentrado toda a energia e suor a fazer da festa de inauguração do Village (Sábado, 10 de Maio) a maior rave de sempre. A manhã toda passa num instante entre telefonemas para artistas, homem do som, homem das bebidas, homem das arcas frigorificas, homem do video, homem das fotos, homem da exposição, homem da cafetaria, homem dos microfones, homem das casas-de banho, homem das limpezas (ou mulher, claro, era para simplificar).

01:00p.m

Saio a correr para ir buscar o Nuno e entregá-lo à avó, pego num iogurte e volto para o Village. Às vezes, vou buscar o Nuno e deixo-me ficar até às duas horas. Lembro-me que ainda não comi e já com o estômago a queixar-se arrasto-me agarrada ao telefone até ao Furo, em Alcântara, para pedir ao balcão a sopa do dia e se tiver sorte (tempo!) uma bifana.

02:00p.m

Volto para o contentor. Falo com potenciais residentes, recebo dezenas de visitas de curiosos por dia, páro tudo para explicar o funcionamento do Village a quem por cá passa; e são muitos. O Xico está à porta do meu contentor a restaurar a minha mesa de trabalho (é um talento de mãos este Xico!) por isso sento-me na mesa partilhada por todas com o computador nos joelhos. Teclo, teclo, teclo, respondo a tudo (quase) sempre no momento. Lá em baixo a Kruella e o Akacorleone pintam quadros para decoração de um bar novo no Bairro Alto; o Bruno da Buzico está a acertar detalhes com acrobatas para a festa ao mesmo tempo que fotográfa os seus agenciados pela propriedade da Carris; o Pedro Miguel Rocha tenta inspirar-se (está a escrever um livro); o Gustavo está a meio do processo de construção de um estúdio de som, muita cola, madeira e materiais estranhos voam por aqueles lados; dentro do contentor da S4L experimentam-se fatos de banho; o Rui da Vice escreve animadamente como editor da Vice e reúne-se com fotógrafos e colaboradores no seu contentor; os Macacos do Chinês passam por ele, entram no contentor deles e começam a fazer beats; o Joaquim aparece com uma mão cheia de artistas, que estão a fazer a exposição "Orffman"; pregam-se as primeiras buchas, penduram-se árvores para o cenário psicadélico, montam-se portas nos corredores. A Denise e a Ana estão a subir com a mesa que foram comprar e forrar com imagens de cassetes - é a sua mesa de trabalho; entram no contentor 7, o seu novo poiso. 

04:30p.m

Ligo para a minha mãe só para checkar se se lembra de ir buscar o Lucas à escola, confirmo que o Nuno está bem, peço para lhes dar banho e jantar (só mais desta vez, prometo) e que os vou buscar SEM FALTA às seis e meia.

07:00p.m

Lembro-me que ainda não fui buscar os miúdos, ligo à minha mãe e peço desculpa, só mais desta vez. Tenho a certeza que o ritmo vai abrandar, mas esse dia não chega...

08:00p.m

Chegamos a casa, com sorte com banhos tomados e dados pela avó. O Gustavo vai até à cozinha preparar o jantar (sim, o marido, nao eu) enquanto dou jantar ao Nuno. O Nuno fica sentado a brincar no meio da sala com tudo o que não deve, enquanto o Lucas ainda a ver os Piratas, o Ruca ou o Livro da Selva, diz-nos que não tem fome, não tem nunca fome!, e que por isso não vai comer. Arrastamo-lo até à mesa; é hora de nos sentarmos todos. Infelizmente ainda não conseguimos implementar a regra de desligar a TV, mas falamos por cima dela e tentamos ter um momento a três.

09:25p.m

 O despertador toca no telefone do Gustavo a avisar que o Lucas tem de ir para a cama. Biberon ao Lucas, biberon ao Nuno, o stress de deitar os dois no mesmo quarto. Vais tu, vou eu, vais com o Lucas, vais com o Nuno? Lavar os dentes do Lucas, fazer chichi, meter a fralda. 

10:00p.m

Com sorte os dois estão na cama a esta hora; o Gustavo adormeceu com o Lucas, eu tento manter os olhos abertos para ver Game Of Thrones, mas não dá. Arrasto-me até à cama. Durante a noite é a dança das camas; uns vêm ter connosco, outros vão para a cama deles. Tudo pode acontecer.

 

por Mariana Duarte Silva.

obrigada!

 

Inês *