uma nota sobre os despedimentos na controlinveste #parêntesis eu-acho-que

fotografia ruben guerreiro (aqui). obrigada por esta lembrança que me tem acompanhado nesta viagem que é a vida, querido Ruben :-)

talvez já vá um bocadinho atrasada no comentário à notícia (who cares?), mas. na altura não me apeteceu escrever sobre. na verdade, li e achei tudo tão normal e expetável que a não-surpresa gerou não-resposta. mais ou menos isto. 

precisamente o ano passado resolvi despedir-me da revista sábado, onde trabalhava como jornalista online e colaboradora no suplemento tentações. surgiu-me uma oportunidade (nova experiência) e achei que fazia sentido agarrá-la. porquê? então a sábado não é de valor? onde estava eu com a cabeça por resolver abandonar uma das melhores revistas de atualidade do país? sim, a sábado é de valor. sim, a sábado é uma das melhores revistas de atualidade do país, mas. a escolha foi totalmente consciente, apesar de existir quem defenda (ainda) uma total inconsciência da minha parte (they don't know).

saí porque percebi (a tempo) que o meu caminho não seria o jornalista puro e duro e que, caso escolhesse ficar, um eventual reconhecimento seria sempre inversamente proporcional ao meu esforço ou dedicação. nada a ver com chefes ou colegas (uns porreiros); era a estrutura e a estratégia da empresa que estava errada, como estava (está?) a do país. e um país descrente com convicções erradas gera empresas estruturalmente deficientes e deficitárias. um reflexo, como tantos outros, do tecido empresarial português em época de crise.

(vai mudar)

escrevi no mesmo dia em que a notícia da controlinveste foi publicada em comentários facebookianos à lamentação de duas amigas: 'o jornalismo já era'. e acredito nisso.

agora perguntam-me: mas como? se a democracia precisa dele para existir?

têm razão. e ele continuará a fazer-se. noutros moldes, com novas abrangências e também limitações (não se fica por aqui).

a forma de jornalismo que eu conheci e em que trabalhei e que soube que tinha de abandonar para ir mais além, chegou ao fim.

no meu caso, saí para poder, futuramente e com outro background, fazer diferente, escolher outras vias, multiplicar possibilidades.

foi fácil? não. mas é o que todos aqueles que naquele dia foram involuntariamente dispensados, serão obrigados a fazer, com maior ou menor dificuldade.

a única diferença é que começam mais tarde.

desejo sinceramente a todos a maior sorte do mundo.

Inês *