dos astros do araújo

 

a balada astral começou a tocar na rádio... a música fala de um pão que não foi comprado porque duas pessoas tropeçaram uma na outra. e eu fico a pensar que das duas uma (ou as duas mesmo): tropeçar na vida é lixado porque se fica sem o pão e sem o coração; ou é tão bom de altamente perturbador e confuso e difuso e nervoso miudinho e arrepios na espinha que é capaz de nos fazer esquecer que, ah é verdade!, havia um pão antes de me tornar num ser tropeço e esbarrar contigo.

notem uma coisa: quer-me cá parecer que entre um pão e uma pessoa, continua a valer o pão - e não me digam que 'lá estou eu a jogar pelo seguro' e que 'o seguro morreu de velho' porque nova sou eu e, embora não tenha tropeçado muitas vezes, das vezes que tropecei estatelei-me sempre no chão (à exceção de uma estória tão bonita quanto longa, mas que não foi exatamente tropeção). esqueçam lá os sentimentalismos que só nos tramam, pensem que por debaixo disso há todo um metabolismo para pôr a funcionar. comprem o pão. o vosso estômago agradece e o coração contenta-se. aviso já: o coração é do caraças!