about men #2

words i love

 

quer-me parecer que é absurdo que um homem pense não estar à altura de uma mulher. a não ser que ela seja de tal modo excecional, o desafie, baralhe ou confunda, o faça questionar a sua própria existência (ou não existência) até ao momento, então o absurdo pode eventualmente tornar-se elemento compreensível, sem no entanto justificar o medo de ser menos que ela. ou não ser de todo feito para ela. 

primeiro porque não há menos. como não há mais. há convergência, cedência, tolerância e acima de tudo força irracional e desejo, candura de estar e ser com ela. depois porque toda e qualquer mulher já escolheu esse homem sem que ele se aperceba efetivamente disso, quando ele próprio crê que é demais, não sei se me quero meter nisto. porque quando há escolha, há reação. há brandura e enternecimento, há por que não, porque sim - há sempre mais sim que não -, há uma mão que se estende mesmo que o rosto se envergonhe e as palavras que saltam para fora sem racionalidade que as distinga. 

a mulher escolhe quase sempre primeiro não porque queira nem porque se orgulhe disso, o mais provável é que aconteça sem aviso prévio; acontece, simplesmente. porque uma mulher excecional, que desafia, baralha e confunde, diz que sim quando o não já deixou de lhe fazer sentido muito antes desse homem ter formulado a hipótese de que, afinal, pode não servir-lhe (a ela, não a ele). lembrem-se de uma coisa: quando pensarem nisto, ela já pensou. quando acharem que não é para vocês, ela já decidiu. quando duvidarem da vossa permanência ali, se ela vos deixar ficar, fiquem. as mulheres excecionais escolhem muito, ficam pouco, mas permanecem. 

a decisão está tomada quando perceberem que às vezes pode ser mais bom que mau permanecerem os dois. 

ps - oiçam Adventures de Coldplay, a razão está lá toda! 

imagem: pinterest