A filósofa que quer ser mecânica

Enquanto oiço a Eva falar em direto no programa Prós e Contras, faço-o com atenção redobrada, e guardo a sensação de que as suas convicções podiam perfeitamente ser as minhas. Eu só não frequentei o curso de Filosofia, e só não me apetece viver de mexer em chapa e em óleo e nessas coisas todas (que sujar as mãos com isso, já sujei, para que conste). Mas podia viver de qualquer outra coisa que não fosse aquilo de que, atualmente, vivo. Acredito que a crise, mais do que instabilidade, traz consigo polivalência (ou a descoberta de), e uma capacidade de repensar e ouvir (os outros e a nós) quase transcendente. E, por isso - embora soe a cliché -, pode realmente ser uma oportunidade. Para nos expandirmos. Para irmos além das nossas capacidades e nos redescobrirmos. Hoje, tenho a certeza de que todos nos conhecemos melhor que antes. E se ainda não chegámos lá, pouco falta para perceber que o ensino gera competências, que certamente nos obrigam a um pensamento crítico (logo, diferente do senso comum), mas que não torna necessária a sua aplicação na área restrita de formação. Porque somos sempre maiores que isso. E a nossa dimensão não é medível pelo cargo que ocupamos.