aborreço-me com facilidade mas só daquilo que não compreendo, me chateia, sai fora do meu padrão e para o qual já não acumulo paciência - o tempo (ou a idade?) leva-nos (concede-nos) isso. a perspicácia e a descontração de fazermos por nós, de dizer não sem culpa ou arrependimento; a perceção de que - e é tão bom quando chegamos lá - descomplicar é preciso; é útil, é essencial. sobretudo quando corremos muito - e eu já corri bastante. e para isso é bom não depender. fazer em conjunto, mas relativizar. comunicar muito. e bem. não ter medo das palavras - essas pateticas de menina. é tão bom chegar a esse estado. é tão bom poder lidar com pessoas assim. quase sinto saudades disso. quase.

os meus dias são agora mais meus do que há um mês. são meus e dos outros, com quem escolho partilhá-los, mas são muito meus para as minhas coisas: o desporto que me dá prazer, as leituras que gosto (e já consigo) pôr em dia, o chocolate que me faz lontrinha mas do qual não abdico. os espaços. novos. giros. as pessoas. interessantes - continuo a procurá-las; não encontrei suficientes.

um quê de alma jornalística e um quê de exigência: gosto de uma boa conversa. sinto falta do debate. saudável, inteligente, criativo. não vivo sem isso.

se calhar é por isso que me vou encontrando aqui: ainda procuro compreender, ainda sinto diferente, ainda descubro. ainda.

estas (nas imagens) são as minhas últimas descobertas. tingidas a rosa, amarelo e vermelho. 

estão etiquetadas com os selos River Island, Dior, Harper’s Bazar, Carlo Cicchetti e outras.