Coisas que eu sei (e me faltam saber)

Nunca pensei mudar-me para Itália. Corrijo: nunca pensei ser alguma vez possível concretizar uma vontade antiga. Sair do país por uns tempos, viver no seio de outra cultura. No fundo, sempre soube que acabaria por fazê-lo. Só não sabia quando nem exatamente como. Sempre me senti confortável no estrangeiro e, às vezes, pouco ‘portuguesa’. Se sou daquelas pessoas que está desiludida com o país? Sou. Não nego. Mas estou, sobretudo, desiludida com o facto - e atenção que até tenho sido uma pessoa bafejada pela sorte; na verdade, trabalhei para ela… - com as nulas oportunidades de crescimento profissional, e consequentemente pessoal. As empresas não permitem que sejamos o que podemos ser, e se procuramos sê-lo estamos ‘naturalmente’ a ‘ser impetuosos’. Aconteceu-me a mim e acontece a todos. E a verdade é que me cansei. E não sinto nem acho que deva ou mereça esperar. Uma pessoa não pode dar o máximo para receber (materialmente ou não) o mínimo. O jornalismo é, para mim, uma paixão; e em todos os trabalhos que fiz procurei ser sempre honesta comigo e correta com os outros. Tenho um espírito livre. Gosto de conhecer. Preciso de comunicar. E gosto - não: preciso - de escrever, também. Mas escrever coisas minhas (e nesse aspeto, houve quem mo permitisse fazer desde cedo; obrigada por isso). Estas caraterísticas continuarão sempre presentes em mim e vão acompanhar-me para onde quer que eu vá. Parece-me, portanto, que saio sem sair. E que me mantenho para aqueles que quiserem acompanhar-me nesta ‘pequena viagem’. Em regime livre. Porque jornalista serei sempre e a comunicação não abandonarei nunca. Posso, pelo contrário, acumular-lhes novos saberes: a fotografia, o design, a moda, até o ensino (por que não?). As mesmas paixões mas num contexto diferente. E porque as oportunidades, durem o tempo que durarem, só surgem uma vez na vida, eu sinto que devo agarrá-las. Eis o que eu sei. Só espero não falhar no que me falta saber. P.S - E há também outra certeza: em Julho estarei a assistir ao desfile que, em Milão, vai ditar o futuro de um grande amigo meu, e partilharei do (teu) nervosismo quando os olheiros (te) avaliarem. Não há com o que (te) preocupares. As pessoas de quem mais gostas estarão lá para (te) apoiar. (em breve estarei mais perto, é o que isto significa).