Este cãozinho sou mais ou menos eu, quando estou deveras ‘angustiada’ e suplicante por uma daquelas coisas que - sei - não posso ter. Hoje é um desses dias. Mas passa já já. Que, somehow, fui aprendendo a desprender-me destes sentimentos, relativamente as estas ‘coisas’. 
 Ontem, btw, resolvi sentar-me numa esplanada a estudar italiano (a minha sina, ultimamente - embora bem-vinda). A Carlota aos meus pés e os papéis espalhados pela mesa. Eu a tentar concentrar-me. Um senhor, um ‘maluquinho’ (pronto) cá do sítio, à minha volta, a falar ao telemóvel. Sozinho. Mas lá na cabecinha dele para com um hospital qualquer. Então o discurso era assim: ‘Já falei com a administração e já lhes disse como é que era. Dois enfermeiros e duas enfermeiras em cada piso. Mas, atenção, não é para andar aí à conversa, a fazer barulho. Quero-vos sossegadinhos’. E repetia: ‘Eu já mandei: dois enfermeiros e duas enfermeiras em cada piso’. E acrescentava: ‘E fazes o teu horário e quando saíres vens logo para casa, não andas para aí a perder tempo em conversas’. E eu, delicadamente, colocava a mão no ouvido, agarrava a Carlota de cada vez que ele se aproximava mais, mas as folhas voavam-me e as mãos saltavam da caneta, dos papéis, do ouvido e da coleira da Carlota… e eu a controlar-me para não stressar e por manter a concentração. E ouvia-se, outra vez: ‘Dois enfermeiros e duas enfermeiras em cada piso. Faz assim que eu depois aumento-vos, e pago do meu próprio bolso’. Silêncio. ‘Pago sim’ (o amigo imaginário deve ter-lhe dito que não, e ele quis reforçar a ideia). Pronto, esta foi a loucura de ontem à tarde na esplanada de um café onde habitualmente vou. Mas isto tudo para dizer nada disto (a demência também me afeta a mim). Para dizer, enfim, que este senhor que falava ao telefone com amigos imaginários, está habitualmente no café a limpar as mesas (sem que ninguém lho pague) de livre e espontânea vontade, e que quando passou por uma mesa onde se sentavam quatro miúdos (prefiro dizer: meninos), um deles saiu-se com: ‘Pode levar os pratos; leve, leve’. Ao que o meu ouvido de ‘tísica’ rapidamente reagiu, apesar de toda a desconcentração proporcionada anteriormente pelos hospitais e as enfermeiras e afins, e a boca esteve quase para acompanhar com um: ‘Levanta daí o rabinho e vai mas é tu entregar os pratinhos lá dentro’. E pronto, é esta ‘camada’ da juventude atual que eu abomino. O que é que os pais deste miúdos (perdão: meninos) lhes andam a ensinar, hum? 
 E tudo isto começou com um cão YSL… 
 P.S - A imagem foi-me enviada por um amigo e o cão (imagem) é mesmo YSL - um pormenor pimposo para ilustrar a situação corriqueira :)

Este cãozinho sou mais ou menos eu, quando estou deveras ‘angustiada’ e suplicante por uma daquelas coisas que - sei - não posso ter. Hoje é um desses dias. Mas passa já já. Que, somehow, fui aprendendo a desprender-me destes sentimentos, relativamente as estas ‘coisas’.

Ontem, btw, resolvi sentar-me numa esplanada a estudar italiano (a minha sina, ultimamente - embora bem-vinda). A Carlota aos meus pés e os papéis espalhados pela mesa. Eu a tentar concentrar-me. Um senhor, um ‘maluquinho’ (pronto) cá do sítio, à minha volta, a falar ao telemóvel. Sozinho. Mas lá na cabecinha dele para com um hospital qualquer. Então o discurso era assim: ‘Já falei com a administração e já lhes disse como é que era. Dois enfermeiros e duas enfermeiras em cada piso. Mas, atenção, não é para andar aí à conversa, a fazer barulho. Quero-vos sossegadinhos’. E repetia: ‘Eu já mandei: dois enfermeiros e duas enfermeiras em cada piso’. E acrescentava: ‘E fazes o teu horário e quando saíres vens logo para casa, não andas para aí a perder tempo em conversas’. E eu, delicadamente, colocava a mão no ouvido, agarrava a Carlota de cada vez que ele se aproximava mais, mas as folhas voavam-me e as mãos saltavam da caneta, dos papéis, do ouvido e da coleira da Carlota… e eu a controlar-me para não stressar e por manter a concentração. E ouvia-se, outra vez: ‘Dois enfermeiros e duas enfermeiras em cada piso. Faz assim que eu depois aumento-vos, e pago do meu próprio bolso’. Silêncio. ‘Pago sim’ (o amigo imaginário deve ter-lhe dito que não, e ele quis reforçar a ideia). Pronto, esta foi a loucura de ontem à tarde na esplanada de um café onde habitualmente vou. Mas isto tudo para dizer nada disto (a demência também me afeta a mim). Para dizer, enfim, que este senhor que falava ao telefone com amigos imaginários, está habitualmente no café a limpar as mesas (sem que ninguém lho pague) de livre e espontânea vontade, e que quando passou por uma mesa onde se sentavam quatro miúdos (prefiro dizer: meninos), um deles saiu-se com: ‘Pode levar os pratos; leve, leve’. Ao que o meu ouvido de ‘tísica’ rapidamente reagiu, apesar de toda a desconcentração proporcionada anteriormente pelos hospitais e as enfermeiras e afins, e a boca esteve quase para acompanhar com um: ‘Levanta daí o rabinho e vai mas é tu entregar os pratinhos lá dentro’. E pronto, é esta ‘camada’ da juventude atual que eu abomino. O que é que os pais deste miúdos (perdão: meninos) lhes andam a ensinar, hum?

E tudo isto começou com um cão YSL…

P.S - A imagem foi-me enviada por um amigo e o cão (imagem) é mesmo YSL - um pormenor pimposo para ilustrar a situação corriqueira :)