Manifesto meu

Eu gosto de Portugal. Eu gosto mesmo mesmo mesmo de Portugal. E de estar com os ‘meus’ (família) e com aqueles junto dos quais me sinto confortável e segura (amigos). Eu gosto de Lisboa, do Algarve, do Porto e do Alentejo. Gosto do mar, do tempo e até gosto das pessoas (algumas). Mas por muito que me esforce em acreditar, eu acredito cada vez menos em Portugal. A última bronca (prefiro escândalo) - que para mim é um atentado ao sofrimento de milhares de famílias pelo país fora - está relacionada com a privatização da RTP1.

Que afinal poderá acontecer - referia António Borges - em moldes nunca antes vistos: o canal passa a ser gerido por privados, que não pagarão por ele mas que obtêm lucro na compra: 140 milhões de euros/ano. Não percebo a proposta (que aguarda, ainda, aprovação). 

Posso compreender (corrijo: alcançar) o porquê. Há por aí muitas amizades e favores a pagar. Mas não compreendo - nem aceito - a falta de escrúpulos e ao jeito ‘cara podre’ com que a solução é apresentada, sem qualquer tipo de moralidade nem vergonha. Vergonha, sobretudo pelo sofrimento dos milhares de contribuintes que se esforçam por pagar as suas contas.

Será razoável pedir-lhes (pedir-nos) também que continuem (continuemos) a financiar um canal que deixou de ser deles (nosso), sem que ‘o comprador’ gaste com ele um tostão? 

Somos brandos, é verdade, mas não somos estúpidos. 

Acho que quando a nossa inteligência é questionada desta forma espalhafatosa, é tempo de pôr de parte a brandura e fazer alguma coisa.