O espetáculo da Marta Gautier (agora no S. Jorge)

Conheci-a acho que o ano passado, no Cinema City Alvalade, por ocasião de um concurso de stand up comedy, onde participava um ex colega de faculdade, que me convidou e a quem achei por bem rever (já lá iam… hum… dois anos?). Se a memória não me falha, o espetáculo abriu precisamente com a Marta. E eu criei com ela uma empatia imediata. As piadas eram muito originais, e incidiam precisamente naquelas peripécias diárias que, mais tarde ou mais cedo, acabam por acontecer a todos. Acho que com ela o efeito foi mais ou menos este: a plateia (incluindo eu) sentiu-se literalmente em casa, e as gargalhadas começaram a soltar-se sem grande esforço. No intervalo fui cumprimentá-la, e dizer-lhe que tinha adorado a sua performance. Que lhe achei imensa piada. Que aquilo também me tinha acontecido a mim, exatamente do modo como ela ironicamente relatara. Que… bla bla bla. Acabei por esperar pela vez do meu colega e sair pouco depois - dei-lhe dois beijinhos, desejei-lhe sorte e vim para casa que - refira-se: condição sinequanone cá para este corpinho mordido pela mosca de tsé tsé - estava já morta de cansaço e de sono. Nunca mais ouvi falar da Marta. Mas lembro-me de ter pensado que, se esta psicóloga clínica fizesse disto carreira, teria imenso sucesso. Há coisas que não se sabem; sentem-se. E às vezes isso basta para se saber que se está certo, e por onde se deve ir. Passados quase seis meses, voltei a ter notícias da Marta quando um colega da redação da Sábado me deixou em cima da mesa o livro ‘Gosto de ti assim - porque és forte, porque choras, porque erras, porque te vais abaixo, porque lutas. porque consegues’. O título era a minha cara. Era era. Mas daí a folheá-lo passaram-se umas horinhas. E eis que, quando o faço, encontro a fotografia da Marta Gautier, uma breve descrição da autora e acabo, outra vez, por me apaixonar pela escrita e pelos diálogos - novamente engraçados e acima de tudo muito despretensiosos. Devo confessar que não acabei de lê-lo - acho que o livro me fazia pensar em algumas ’coisas’ (dá sempre jeito esta palavra) que até então tenho procurado que o tempo resolva sozinho, sem precisar da minha mãozinha. Acho que é isto e acho que me engano a mim própria, só para adiar (parêntesis este). Mas… tudo isto para dizer que esta semana voltei a saber da Marta através do Cinema S. Jorge. O espetáculo ‘Vamos lá então perceber as mulheres. Só um bocadinho…’ está em cena e eu fiquei com muita vontade de vê-lo, antes da partida (bum bum bum bum). Ocorreu-me até que é irónico e ao mesmo tempo curioso que o espetáculo tenha mais ou menos o mesmo nome do livro de um colega/editor/(talvez)amigo com quem trabalhei e cuja apresentação aconteceu esta semana. Para vocês os dois: não era giro juntarem-se e conceberem qualquer coisa engraçada com os vossos temas (complementares)? Fica a ideia. Exclusivamente para a Marta e ainda para quem ler este post: gostava de saber, afinal, o que pensas e dizes tu de nós, mulheres, e de me rir mais um bocadinho contigo (até lá, prometo que concluo o livro), mas ando a ver quem é o/a chanfradito/a que, como eu, lhe apetece rir-se a ‘bandeiras despregadas’. Já agora, são 10 euros o bilhete…