Ontem acordei com vontade de sair e de apanhar um comboio - sempre regional (mais barato), mas vejam, pela foto, a qualidade do regional de cá e espantem-se. Decidi que ia andar pelos canais de Veneza. Conhecê-los, na verdade, que ainda não tinha lá estado. Ouvi falar bem e mal, e assim-assim. Devo dizer que adorei. A cidade não é muito grande e está, toda ela, distribuída ao longo do Grande Canal - que não percorri em vaporetti para admirar os palacetes hoje convertidos em museus, lojas, hóteis e apartamentos (mas se o fizerem, escolham o itinerário nº1). Optei antes por caminhar. Segui as ruas estreitas, com lojas e lojinhas, tendas e tendinhas cheias de souvenirs - quanto a mim, Veneza só peca por ser uma cidade demasiado turística (há ruas onde é impossível caminhar) -, gelatarias, pastelarias (experimentei o ‘pistacchione veneziano’, um doce regional com pistacchio, chocolate e amêndoas - bom mas não espetacular). Cheguei ao Rialto, nomeadamente à ponte, e fotografei-a. É um marco da cidade. Assim como o são as margens do Grande Canal, onde aqui nos podemos sentar e admirar o incessante trânsito ‘gondolar’. Se forem a dois, três, quatro ou até sozinhos, como eu, procurem ‘A Riva Del Vino’, um restaurante/pizzaria/wine bar localizado no antigo caís de desembarque do vinho. Antes de o fazerem, no entanto, passem pela ‘Pescheria’, um mercado de peixe com mais de 600 anos - é fácil localizá-lo: o cheiro a marisco e peixe não engana e nas suas proximidades começam a ver-se banquinhas com ostras para dar a provar (pagando) a quem quiser. Lembrei-me das algarvias (maravilhosas) e não fui em cantigas. Para além deste mercado, há ainda a ‘Erberia’, um mercado de fruta e legumes que irão encontrar assim que, saindo da estação de comboios, seguirem as indicações com as siglas ‘Per Rialto’. Afinal, Veneza (e a região do Véneto) é o pulmão verde de Itália, pela oferta diversificada em legumes e verduras. Assim o entendo eu, e creio não estar enganada. Apesar da cidade ser relativamente confusa pelas inúmeras e pequenas ruas que a caraterizam, é difícil perder-se. Tudo está muito bem indicado, e basta ter em mente dois pontos de referência: o Rialto e San Marco. 

Foi precisamente para a Piazza San Marco que segui depois de me perder (propositadamente) pelas ruelas onde me deliciei a apreciar vitrinas de doces e pastas (de formatos e cores inimagináveis - só vendo).

Aqui, vale a pena estar na praça (enorme), palco de inúmeras procissões e celebrações carnavalescas. Para ver: a Basílica de S. Marcos - um misto entre a arquitetura Ocidental com a Oriental (a cidade era ‘a porta’ para o mundo árabe), que deu origem ao gótico Veneziano - e o Palazzo Ducalo. 

Não entrei em nenhum. Não sei quantificar o tamanho das filas já nesta altura do ano…

Depois, se caminharem em direção ao Giarinetti Reali, junto a mais um cais veneziano, mesmo ali, na praça, vão encontrar a Compagnia della Vela, e ligeiramente mais à frente fica o ‘Harry’s bar’. Foi fundado pelo italiano Giuseppe Cipriani e tem, ao longo dos tempos, atraído muitos americanos famosos, como por exemplo Ernest Hemingway (afinal, ele não estava só em Cuba…). Aqui pode comer-se o famoso carpaccio - carne de vaca crua e cortada aos pedaços -, originário desta região, e que dizem ter sido criado por Cipriani aqui, neste espaço.    

A Compagnia della Vela ganha especial atenção este ano devido à ‘A America’s Cup 2012’ (Vela), que começou precisamente ontem, em Veneza, e vai durar até ao próximo dia 20 de Maio. Para os amantes do desporto e em especial desta modalidade, a programação pode ser consultada aqui.  

No Palazzo/Museo Fortuny (igualmente próximo dali), e até ao final de Junho, está patente a exposição 'Diana Vreeland after Diana Vreelander'. A mostra permite ver alguns trabalhos, parcerias e preferências da mais famosa editora de moda nascida em Paris, emigrada para Londres e retornada a Nova Iorque, onde encabeçou duas das principais revistas de moda: a Harper’s Bazar e a Vogue. 

Na fotografia que aqui publico, pode ver-se uma carta de Diana (editora-chefe da Vogue americana) à marca Missoni, que data de Novembro de 1970, e onde se lê um profundo agradecimento pela brilhante coleção apresentada, comparando-a à beleza das flores.

A sua admiração por Missoni, bem como por Balenciaga, era fortemente conhecida.

Que não tenham motivos para conhecer Veneza, é coisa de que dúvido - a vida e o romantismo que cidade emana a cada esquina é, por si só, suficiente - mas… quem sabe possam encontrar nestas duas sugestões de programa uma razão acrescida para passar por lá. Até junho. 

P.S 1 - Só para deixar escrito que se algum dia alguém pensar pedir-me em casamento, pode - e deve - fazê-lo em Veneza. Creio que me caso imediatamente. E faço festa na gondôla. É coisa que tenho decidida de ontem para hoje.  

P.S 2 - Clicar nas imagens para ver melhor.