Quando os outros se escusam de dizer

Eu às vezes pergunto-me se o tempo permitirá que alguns se apercebam do que falta, ou está errado, e da diferença que as palavras certas no momento exato (a frontalidade e a chatice que quase sempre evitamos) permitem. Honestamente, acho que não. Um dia li um artigo onde se escrevia que há seres ‘mais evoluídos’ que outros. Isto não significa dizer que certas pessoas sejam mais inteligentes que outras, mas que há quem esteja num patamar humano mais instruído, ou evoluído (se preferirem). Achei que ‘a ideia’ tinha alguma piada. E acabei por não me esquecer dela. Hoje, acho que faz todo o sentido. É por isso que há com quem se funcione de forma quase telepática, com quem se crie empatia imediata e com quem, infelizmente, permaneça a incompatibilidade. E eu sou daquelas pessoas cuja frontalidade pode assustar alguns - eu sei - mas da qual não abdico. O resultado é mais ou menos este: querem ser insuportáveis, sejam-no, desde que a estupidez não me afete; a partir do momento em que ela me atinje, independentemente da intensidade, o caso muda de figura. Nisto tudo, só lamento que a perceção das coisas chegue quase sempre tarde demais, e que quem é tolerante acabe por se cansar de esperar pela reciprocidade.