Sobre a anatomia da vida. Que é como a de Grey

Uma amiga minha dizia-me no outro dia, numa conversa a duas: ‘Há um episódio da Anatomia de Grey que fala disso, desse sentimento’ - gabei-lhe a perspicácia e a memória; mas não é assim tão estranho tendo em conta que é uma acérrima consumidora de séries, acho (também) que pela ‘especialização’ em cinema. Essa mesma amiga transcreveu-me as palavras: ‘It goes away. The feeling. That feeling that you have right now… today… that feeling like you can do anything. That clarity… It goes away. And you go right back to being the coward who can’t tell the person… how you feel’. Assumir que se falhou (falhámos) não é fácil. Pelo contrário, é uma chatice, uma verdadeira ‘merda’. Acho que nunca é por acaso, nem de repente. Apenas é. E sê-lo é por si só suficiente para nos aniquilar por uns dias, os proporcionais à previsibilidade do acontecimento e à sua aceitação. Sei no entanto que quando é mútuo, ou mutuamente compreendido, o coração sai menos sobressaltado. E há um calorzinho que ainda o acompanha. Por uns dias.