Sobre a austeridade

Não me apetecia escrever sobre isto. Tenho, aliás, evitado ouvir Passos Coelho. Ontem e hoje o Ministro das Finanças. Amanhã outra vez (a entrevista a) Passos Coelho - aposto que muitos vão deixá-lo pendurado pela VFNO (ahaha). Não me apetecia mesmo escrever sobre isto. Acho Seguro, no mínimo, ridículo. Depois de um silêncio inexplicável, decidiu querer reunir-se (com urgência!) com Cavaco Silva. Aposto que ouviu o quarteto Eixo do Mal fazer troça dele no último sábado e por isso decidiu, tardiamente, seguir-lhes o conselho (era mais uma exigência, mas pronto). Enfim. Só tenho saudades de passear pela rua e de conversar com pessoas sem sentir nem ouvir falar das medidas do governo, do desemprego, da falência de uma empresa, da falência de uma família e, no limite, da falência de uma vida. São familiares, são amigos, sou eu (ao meio jeito e maneira). Somos todos. Tenho saudades de viver numa cidade - já estive durante algum tempo noutras e foi honestamente diferente (e bom) - onde não exista medo nem falta de esperança ou liberdade. Em Portugal e de uma forma geral, estamos tristes, sentimo-nos aprisionados. Alguém que nos garanta que ainda vale a pena. E que não é o fim. Please.