Sobre a declaração - 'desequilibrada', referiu ao 'I' Marcelo Rebelo de Sousa - de Passos Coelho a propósito do desemprego. Eu tenho uma (talvez muitas) palavras a dizer

Sempre fui uma pessoa desassossegada e acho muito que o ‘Livro do Desassossego’, de Fernando Pessoa, encaixaria em mim na perfeição, se atentarmos à performance descritiva do meu ser/estar. Sem naturalmente comprometer o que vai além da capa, julgo que o título é sucinto. E que nele me encontram, mesmo que isso não aconteça nas páginas seguintes.

Um introdução poética para falar de algo muito pouco lírico, na verdade. Adiante. 

O Senhor Primeiro Ministro Passos Coelho dizia há poucos dias que ‘estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida’.

É verdade que, se espetarmos estas palavras um tanto enternecidas por uma força que já não têm (não existe na sociedade portuguesa) na cara de alguém que tem uma casa, carro, contas e, na pior das hipóteses, filhos para alimentar e manter na escola, elas vão certamente ruborizar rostos e transformar-se em farpas com efeito flashback.

Mas… e sem querer, de todo, dar-lhe razão, pela primeira vez na vida percebi (yeah) o que o Senhor Primeiro Ministro quis dizer.

E acho que, neste caso, ele se dirigia essencialmente aos jovens.

Tenho amigos que estão simplesmente parados. Não têm trabalho e continuam parados. Como se a vida pudesse rolar sem impulso nosso. Que não pode. E como se esperar que aconteça seja, alguma vez, sinónimo de sucesso. Já não é. Creio, aliás, que esperar nunca foi sinónimo de nada, senão de paciência. E até essa tem limites. 

Isto também para dizer-vos que mesmo quando não estou parada, continuo a mover-me. E quanto mais me movo, menos consigo estar parada. Basicamente: se estou envolvida num projeto, continuo atenta a outros. Porque o meu cérebro simplesmente não pára. E é isso que me mantém viva. E é essa caraterística desassossegada que me move hoje e amanhã e nos dias próximos.

E portanto esta semana vou reunir-me com uma marca italiana, com a qual me cruzei por acaso, numa incursão pela cidade. Os produtos são novidade para mim, portuguesa, e julgo que para Itália também. Provei, gostei, achei que fazia sentido em Portugal (que ainda não os tem). E houve qualquer coisa que me disse ‘isto funcionava’ e me fez enviares-lhes um email.

Não sei absolutamente nada. Não tenho pretensiosismo nenhum. Vou porque acho que nunca perdemos em tentar e em conhecer mais. Vou porque sou nova, porque ainda não criei medos, porque não acredito em más figuras; só em quedas. E dessas levanto-me sempre. E vou porque me entretenho. E porque se não der em nada, pelo menos conheci alguém (mais alguém), uma marca, um produto. E toda a experiência é de valor.