Sobre a Eunice Muñoz e outras coisas

Ontem dei uma passagem rápida por aqueles títulos que costumo ler sempre. E um deles falava da Eunice Muñoz e de uma suposta morte da atriz. Depois do Sassetti e do Miguel Portas (julgo que a ordem cronológica não foi exatamente esta, mas…), a Eunice seria quase uma calamidade. Sobre a morte dos dois primeiros não cheguei a escrever - acho que nada do que se diga nestas alturas pode ser suficiente e por isso prefiro quase sempre o silêncio; parece-me mais sensato -, e sobre a Eunice nada escreveria também. E se escrevo é porque está viva - a morte foi afinal um boato lançado no facebook a propósito de uma queda (imagine-se!). Este é, por isso, um texto de celebração à vida (sua e dos outros, que cá continuam mesmo tendo partido). Porque se o desaparecimento destes me fez mossa (que fez), da Eunice seria quase como anular todas as minhas referências de miúda. Quando por estas alturas (nos feriados de Junho nomeadamente) seguia para o Algarve e, nas caminhadas na praia (com a minha mãe), me cruzava com uma senhora que aparentava já alguma idade, de vestido branco comprido - batia-lhe nos pés - e chapéu de abas largas. Cabeça baixa. Olhar doce. Passo lento. Era a ‘vizinha’. Ficava quase sempre na casa ao lado. Do amigo. Rui de Carvalho. A Eunice que eu conheço (sem conhecer para além de uma ou outra entrevista de trabalho) é esta. A senhora dos vestidos longos e caminhar pausado. A atriz serena depois da explosão nos palcos.