Sobre 'Acima de tudo, sê a heroína da tua vida'

Ontem tive um daqueles dias (quase) só para mim. Daqueles dias de que gosto. Carinhosamente apelidados de ‘dondocais’ por uma pessoa que, no fundo, vê neles uma componente feminina que aprecia, e à qual se habituou. Fui ao ginásio - ao fim de muitos anos, fazem-se amizades e aquilo torna-se um espaço de convívio -, gastei o meu último voucher Nailsmeeting (mãos) e aproveitei ainda para tratar dos pezinhos. Enquanto isto - ou melhor: durante - tive algum tempo para ler a Máxima. E porque mesmo quando estou bem - nem sempre estamos, é um facto; e isso é algo socialmente transversal, embora pareça que não - acabo sempre por pensar em milhares de coisas ao mesmo tempo. Se consigo eliminar um qualquer receio, sou capaz de na minha cabeça gerar um outro relacionado com uma nova situação, que até pode ser mais confortável, como é o caso. Mas acho que sempre fui um bocadinho assim e acho sobretudo que a vida de hoje nos leva (ou obriga?) a ser mais ainda. A instabilidade é um processo com o qual não lido bem, mesmo quando estou estável - que, diga-se em verdade, atualmente ninguém está. Fora isso, a melhor parte de mim é que fui aprendendo a gerir esses receios - houve também quem me ensinasse com uma calma que eu às vezes não tenho. Por isso, durante as unhas, enquanto me preparava para um jantar na casa da minha avó do coração - um quentinho especial que me sossega o peito -, e li na revista uma citação de Nora Ephron ‘Acima de tudo, sê a heroína da tua vida, não a vítima’, percebi (pensei) que não há realmente problemas antes deles existirem, e que todos são mais ou menos solucionáveis. Desde que ao nosso redor estejam pessoas que nos querem bem. Levo tudo muito a sério. Sou uma complicadinha, portanto. Mas acho que algumas coisas tenho mesmo de relativizar.

P.S - Ephron foi uma jornalista, guionista, realizadora e produtora americana.