Sobre as mulheres afegãs

A ELLE italiana enviou uma jornalista para o Afeganistão, onde a esperavam outras cinco. Todas freelancers. Todas mulheres. Todas disponíveis para falar de uma paixão (o jornalismo) que - acreditam - possa contribuir para melhorar a condição de vida das mulheres afegãs, impossibilitadas (ainda) de aceder livremente à informação, sobretudo através do ensino. Cada uma destas mulheres recebeu a portuguesa de braços abertos nos órgãos de comunicação social com os quais colabora, e contou-lhe a sua - e a de outras - estória.

Dizem elas que os homens afegãos afirmam respeitar mais as mulheres do seu povo do que, por exemplo, os homens ocidentais. Que até pode ser verdade, mas não o é certamente no seio da sua família. Esposas e filhas têm pouco direito ‘a mover-se, procurar informação, estudar, trabalhar’. Basicamente: em ser independentes.

Estas cinco mulheres são uma exceção à regra e trabalham todos os dias para deixar de sê-lo.   

No meio disto tudo, só tenho pena que não tenha sido uma portuguesa a fazer esta (grande) reportagem.

Para tê-la escrito, eu não me importava de viver como uma afegã. 

Mas só por uma semana. Já com estas mulheres (jornalistas) seria capaz de trabalhar a vida inteira. E não necessariamente num jornal.