Sobre as relações e o (neo)celibato e as relações outra vez

Hoje, andava eu na Avenida de Berna à espera da hora para uma consulta - há aquelas pessoas que odeiam ir a médicos; o meu caso é exatamente o oposto. Adoro ‘visitar’ a minha médica uma vez por ano; perdemo-nos na conversa e chegamos sempre a um consenso, o que é, digamos, feliz nos tempos que correm. Na dita Avenida decidi comprar a ‘minha’ revista (uma das) e enquanto aguardava no consultório - sensivelmente dez minutos (refira-se) - li um artigo sobre a matéria (relações). Então dizia assim um psicólogo: ‘… é importante não se refugiar sempre junto do mesmo estilo de pessoas que já conhece e abrir-se a outros conhecimentos’. Até aqui, nada de novo, verdade? Mas ele continuava: ‘… já que está provado que são os casais mais abertos ao exterior os que duram mais tempo’. Ora aqui está a novidade. Normalmente, dir-se-ia que mais conhecimento, maior a probabilidade de distração vs. desencantamento vs. fim vs. adeus. Mas não acho que tenha de ser necessariamente assim. Se ambos partilharem a mesma (esta) visão e se canalizarem essa atitude para fortalecer a relação. Porque isso ajuda. O problema é quando os dois não andam ao mesmo ritmo e, pior, no mesmo sentido. Sempre me fez confusão os casais que viviam exclusivamente para os dois. Pergunto-me: como é que podem viver sem a novidade? Os assuntos que vão buscar ao dia a dia, aos amigos, a outras vivências que não somente com aquela pessoa? Não se cansam? Não há dias que preferem uma tertúlia feminina, ou, vá, sendo condescendente com os rapazes, qualquer ‘paródia’ masculina? Digo eu, que ainda me falta saber muita coisa e passar por inúmeras distrações. Enfim.