Sobre as viagens (da nossa vida)

Uma amiga minha dizia-me ontem que da próxima vez que viajar tem de escolher um grupo mais pequeno. Que as pessoas que seguiram com ela não colaboraram naqueles clichés de quem percebe da coisa: fotografias junto ao Big Ben, às cabines telefónicas, táxis, autocarros… ‘Eu gosto de olhar para cima’, disse-me. Percebi a ideia. Mas justifiquei-lhe com um ‘também só aprendemos quando vamos e experimentamos’. A aprendizagem erro/consequência faz algum sentido (pensei). Enquanto falávamos, lembrei-me de uma peripécia que se passou comigo em Nova Iorque. Fiz sempre questão de andar com um guia da American Express (pelo sim pelo não), mas acabei todo o santo dia por me meter em ruas que não conhecia e por entrar em estabelecimentos só porque sim. Mas se não o tivesse feito, que piada teria tido? Num dos ‘milhentos’ dias que segui até Greenwich Village (só de pensar sinto saudades), a mulher gulosa que há em mim e o espírito gourmet sempre intermitente que cá reside também, deu conta de uma lojinha de cupcakes e outras iguarias repleta de pessoas. Aquele aglomerado despertou-me a atenção e decidi entrar. E pronto, foi como se tivesse viajado ao universo da Disney - juro, senti-me mesmo miúda! Decidi então comprar dois cupcakes (um de caramelo, outro de chocolate). Saí da lojinha, procurei um jardim em redor (encontrei um mini parque onde brincavam algumas famílias) e sentei-me num banco. Devo ter ficado ali… uma? Duas horas? Talvez. Só sei que não tive pressa (nenhuma), e que olhei muitas vezes para cima.