Sobre livros e filmes, mães e filhos

Há provavelmente pessoas que sabemos conhecer sem antes ter conhecido. Uma coisa mais ou menos estranha, mais ou menos rara. Quando ontem vi em cena o romance de Tolstoi - sem querer ser exaustiva no tema - foi nisso que pensei. No outro dia, em entrevista a um programa da 2, Inês Pedrosa dizia que não faz sentido ler um livro sem que este acrescente algo à nossa vida - que é o mesmo que dizer: à sabedoria, aos valores e pretensões. Um (bom) livro deve mexer connosco. Ser veículo de aprendizagem. Não só sobre História, mas sobre a vida. Se assim são os livros - e eu concordo com esta visão -, assim serão também os filmes; e sobretudo os filmes que derivam de livros. Como é o caso. Pessoalmente, não gostei de Karenina. Admiro-lhe a coragem e a força e não censuro a opção de infringir as regras de uma sociedade - faria igual, se achasse justo e necessário; faço-o hoje (se preciso), no meu tempo. Não foi isso que me fez não gostar dela. Foi a insistência numa loucura que destruiu a vida dela, dos que a amavam e daqueles que dela dependiam: os filhos. A persistência num erro que ela percebeu, a tempo, que não teria uma resolução feliz. E por muito que a sensação de conhecer alguém sem antes ter chegado lá nos ‘obrigue’ a ir mais longe, parece-me a mim que essa distância deve medir-se não segundo desejos ou emoções, mas na obrigação para com os dependentes (quando os há). Afinal, deve o amor a um homem ser maior do que a um filho? Não me parece.