Sobre o tempo que vou dispendendo por cá

Não tenho escrito muito não é por nada. Nada de nada nem nada de muito especial. Também não é que ache que isto possa, eventualmente, servir-vos o interesse nem ser tema de conversa, mas há alturas em que estou numa de mais introspeção, e é quase sempre quando levo uma sapatada da vida. Já levei maiores - refira-se -, e a de há dois anos não será superável por nenhuma. Quanto a mim, penso sempre muito, e sempre que penso demais escrevo de menos. E se escrevo menos é porque estou a pensar para lá do normal estipulado. Funciono assim. Neste momento, estou a pensar no regresso. No Portugal que escolhi deixar ‘temporariamente’ mas a que sou obrigada a regressar mais cedo do que o esperado. Quero (gostava) de acreditar que há um motivo - para além do evidente. E que esse motivo justifica também a loucura que vivi aqui (tenho as minhas dúvidas). A expressão é mesmo esta: uma experiência de doidos. Não foi em vão, tenho a certeza. Fiz amigos, as minhas amigas (portuguesas) diriam que trago comigo ‘um truque na manga, como sempre’ (que até pode não dar em nada), e percebi muita coisa que, permanecendo no país, certamente não perceberia. Acho que reorganizei prioridades. Também. E por agora concentro-me nesta: chegar a casa, tomar um banho relaxante, vestir-me e deitar-me sobre lençóis lavados. Ter um sono descansado e seguro. E pensar que sou feliz só porque a vida me permite isto.