Sobre o trabalho (que é o que interessa)

Sexta-feira (ontem) encontrei-me então com o professor com quem vou trabalhar assim mais diretamente. Marco Gestri, da ‘Facultà di Giurisprudenza’. Basicamente vou ser um bocadinho assistente, e ainda trabalhar com ele (e equipa) na organização de uma escola de verão que acontece todos os anos em Modena, Setembro (mês do meu aniversário e também do meu regresso).

Fiquei a saber que não preciso estar na faculdade nem no centro de documentação vs. investigação todos os dias. Nem dias inteiros.

Pergunta: O que é que eu vou fazer com tanto tempo?! Arranjem-me com o que me entreter por favor senão dou em M-A-L-U-C-A.  

Enfim.

Começo a sério na segunda-feira. Conto aproveitar para fazer também um curso de italiano na faculdade, daqueles gratuitos.

A faculdade, e o centro de investigação, ficam num edifício antigo, bem no centro da cidade. Está todo renovado. Como a maior parte dos ‘palacetes’ italianos, tem um jardim no meio.   

Não me tenho exercitado muito, a não ser a caminhada diária de 45 minutos x 2. Ida e volta a casa, quero dizer. (fora a minha incansável ‘exploração’ da cidade). Pode não ser suficiente, mas para aqui terá de ser.

Já comi gelado de morango e chocolate. E é assim: nunca comi melhor gelado de chocolate em toda a minha vida. De morango já houve melhor: o da minha mãe. Chocolate não (porque ela nunca chegou a fazê-lo, estou em crer).

Hoje fui explorar o centro de Modena: o Duomo e a Torre Ghirlandina, e ainda o Palazzo dei Musei. Passei também pela Casa Museu Enzo Ferrari (mais afastada do centro da cidade).

Modena é gira e proporciona qualidade de vida: ruas estreitas com muitas bicicletas a circular, casas arranjadas, feirinhas, muitos cafés, restaurantes e esplanadas com pinta. Pessoas bonitas (não é igual a Milão, mas tem), lojas de perder a cabeça. Boa comida, bom clima. Enfim, Itália. 

Descobri umas coisas interessantes numa das feiras da cidade. Para casa. Agora, ando muito voltada para a decoração.

Também fui ao mercado da cidade. Explorei o que se vende por aqui. Devo confessar que para uma amante da cozinha como eu, e de tudo o que é fruto seco, qualidade de massa e vegetais, Itália é simplesmente um paraíso.

Pus-me à conversa com uma feirante. Pedi-lhe que me explicasse como se faziam aqueles tortellini que os meus olhos ‘agarraram’ de imediato (ai se eles comessem…). Disse-me que o recheio era de espinafres e ricotta. E que devia cozê-los em água, depois juntar-lhes ‘burro’ (manteiga) e envolvê-los ainda num molho de nozes que se vende já feito (esqueci o nome). No fim, temperá-los com ervas aromáticas. Pode não ter sido exatamente isto, mas foi qualquer coisa do género, tenho a certeza. 

Tive vontade de sair dali com os tortellini, o molho, tudo e mais alguma coisa e vir para casa cozinhar. Mas uma casa só minha (que não há aqui).

Em todo o caso, estou sozinha. E detesto cozinhar só para mim. Humpf.