o fim do 'Público' e a reorganização das competências

Lamento que o plano de redução de custos apresentado hoje pela administração do ‘Público’ preveja o despedimento de 48 pessoas. Lamento, acima de tudo, que essas pessoas vejam terminada a sua carreira (de jornalistas e afins), sem a esperança (nem o tempo) de reavê-la noutro lugar, noutro espaço, noutra altura. A curto ou médio prazo. Pode não acontecer com todos - acontecerá certamente com a maioria -, mas o seu despedimento significa um ponto final na carreira que até aqui vinham a construir. A vida - e as necessidades - vão impor novo rumo. Nem sempre é mau. Quando não é uma escolha própria, parece quase sempre péssimo. Mas não é. Pode não ser. É preciso, agora, isso sim, que o tecido empresarial português páre de agir com mentalidade rural: questione candidaturas destas - e outras - áreas. O desemprego exige que se quebrem barreiras que não existem, que as empresas agilizem o seu pensamento e forma de atuação, que entendam a formação e a experiência como uma mais-valia, independentemente da área em que foi orientada ou concebida. A vida moderna exige que assim seja. Afinal, há ‘milhentas’ coisas que cada um pode, e deve, fazer, e onde será certa e igualmente competente. A competência cria-se, gera-se e não pode acontecer num único contexto, sob pena de nos tornarmos seres não polivalentes e, assim, menos interessantes. Menos sabedores.   

P.S - Alexandre Soares dos Santos, CEO do grupo Jerónimo Martins, em entrevista a Mário Crespo, dizia hoje que há falta de diálogo - e debate - em Portugal. Falta de abertura. Tudo se faz com intransigência, sem participação cívica, mais ou menos sem se questionar ou pensar com atualidade. Não podia concordar mais e acho (mesmo) que essa ‘chica espertice’ e descontextualização total do que é a realidade está a contagiar as empresas. E não são só elas a perder. Somos todos. É o país.